Árvores transplantadas devem retornar a praça no Setor Coimbra a partir de outubro
Um ipê e um bacuri retirados da Praça Ciro Lisita, no Setor Coimbra, para dar lugar às obras de reconfiguração viária da Avenida Castelo Branco, sobreviveram ao processo de remoção e se desenvolvem com sucesso, até o momento, no Viveiro Buritis, onde estão há 45 dias em acompanhamento técnico da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). A previsão é que os exemplares sejam reinseridos no mesmo local no início do período chuvoso.
O resultado positivo consolida a medida como uma solução ecológica eficiente para evitar a perda do patrimônio verde da cidade durante intervenções urbanas. No entanto, por enquanto o transplante tem sido tratado pela administração municipal como uma medida excepcional, por conta da complexidade da operação. De acordo com a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), ainda não há previsão de nova retirada de vegetação adulta — eventuais solicitações serão avaliadas caso a caso.
Engenheiro agrônomo da Comurg, Rafael Pacheco informou que o bacuri e o ipê-rosa estão no viveiro desde que foram retirados da praça, no início de julho. A previsão inicial era de que os exemplares retornassem após três meses. O plano é replantá-los entre outubro e novembro, antes de as chuvas se tornarem mais intensas. Caso não seja possível devolvê-los à Praça Ciro Lisita, há um “plano B”: levar as árvores para outras áreas da região, como as praças Walter Santos, do Cigano (Benedita Silva Lobo) e do Racha (Godofredo Leopoldino de Azevedo).
“A previsão inicial é de que esse período de recuperação dure entre 60 e 90 dias, para que a planta se estabeleça e comece a soltar novas raízes antes de ser devolvida”, contou Pacheco ao POPULAR . “Estamos no período em que as plantas entram em estado de dormência vegetativa, reduzindo o metabolismo por conta da estação seca do inverno. Logo entra a primavera, a temperatura aumenta e, com a chegada das chuvas, sobe a umidade. Ela entra em um pico de desenvolvimento, potencializando a emissão de raízes e brotações, e queremos coincidir o retorno delas com esse momento de pico”, acrescentou.
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Segundo o técnico, as árvores estão saudáveis, mas ainda permanecem no que ele chama de “janela de influência do transplante”, período que considera mais crítico devido ao risco de morte. “Elas estão com brotação nova, o que já é um bom sinal, além da aparência de estar bem hidratada. Então, temos indicativos de que o processo está evoluindo de forma satisfatória”, afirmou.
O POPULAR esteve no Viveiro Buritis da Comurg, no Residencial Kátia, região sudoeste da capital, onde os exemplares estão. O bacuri tem algumas folhas com as pontas secas e folhas novas, enquanto o ipê-rosa também apresenta brotos novos na parte superior da copa. Segundo Pacheco, as folhas secas são uma reação esperada e normal após o transplante, já que a retirada das raízes reduz a capacidade da planta de absorver água e também provoca a perda de parte das raízes.
Sem virar regra
A respeito da possibilidade de outros transplantes de árvores em Goiânia , a Amma explicou que a alternativa poderá ser considerada “sempre que houver condições técnicas e ambientais para sua execução”, mas ressaltou que o transplante não deverá ser adotado como regra. Segundo o órgão, a decisão depende das características de cada exemplar e das condições do local, que são avaliadas antes de uma eventual operação.
“Entre os aspectos avaliados estão a espécie, o porte e a idade da árvore, as condições de saúde, a integridade das raízes, o período mais adequado para o transplante, a existência de área compatível para o replantio e as condições operacionais necessárias para favorecer a sobrevivência do exemplar. A Amma informa, ainda, que não há, até esta data, outras operações dessa natureza em avaliação”, detalhou por meio de nota.
Pela Comurg, Pacheco também reforçou que o transplante não deve ser visto como solução para todos os casos. “É importante entender que o transplante é uma opção. Não existe solução milagrosa porque cada caso é um caso e tem de ser avaliado conforme as condições do entorno”, afirmou. Entre os pontos citados, ele menciona os custos do procedimento, que podem envolver desde caminhões até guindastes, dependendo do tamanho e do peso do exemplar.
O técnico ressaltou ainda que a escolha entre transplantar uma árvore ou optar pela compensação ambiental deve levar em conta os impactos de cada alternativa. Segundo ele, o transplante permite, no curto prazo, um sombreamento mais rápido da região. Já a compensação, com o plantio de um número maior de árvores, pode gerar um impacto ambiental maior no médio e longo prazo, em termos de conforto térmico e absorção de gás carbônico.
Apesar de não haver novos planos no momento, o prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou, em julho, que pretende evitar a supressão de árvores que seriam removidas durante as obras do trecho 2 do Corredor BRT Norte-Sul. Segundo ele, a Prefeitura buscará reduzir ao máximo a retirada dos exemplares em Goiânia, avaliando a possibilidade de replantá-los em outros locais.

Fabrício Vera, Jornal Opopular
